
Em 19 de outubro de 1901, Alberto Santos-Dumont contornou a Torre Eiffel com seu dirigível número 6 e voltou ao ponto de partida, conquistando o Prêmio Deutsch. A data virou símbolo de criatividade aplicada e, desde a Lei 12.193, de 14 de janeiro de 2010, é também o Dia Nacional da Inovação no Brasil. A homenagem lembra que inventar é só metade do caminho: a outra metade é levar a ideia a quem pode usá-la. Nesse trajeto, congressos e feiras cumprem um papel pouco lembrado, o de ponte entre quem pesquisa e quem produz.
Universidades e institutos produzem conhecimento em ritmo constante, mas boa parte dele fica em artigos, dissertações e relatórios lidos quase só por outros pesquisadores. Empresas, por sua vez, enfrentam problemas técnicos concretos sem saber que alguém, num laboratório próximo, estuda exatamente aquilo. Falta tempo, falta linguagem comum e, principalmente, falta ocasião para o encontro.
Os eventos criam essa ocasião. Durante alguns dias, pesquisadores, gestores, investidores, representantes de governo e fundadores de startups ocupam o mesmo espaço, com uma programação que os coloca frente a frente.
Nem todo evento aproxima pesquisa e mercado da mesma forma. Alguns formatos se destacam:
Os núcleos de inovação tecnológica das universidades costumam estar presentes nesses eventos, justamente para mostrar patentes, laboratórios e competências disponíveis para parceria.
Para o pesquisador, o desafio é traduzir o trabalho. Uma apresentação voltada a empresas começa pelo problema que a pesquisa resolve, não pelo método. Vale preparar um resumo de uma página, em linguagem direta, e ter claro o que se busca: financiamento, parceiro para teste, licenciamento.
Para a empresa, o caminho é ir com perguntas. Antes do evento, liste dois ou três desafios técnicos e procure na programação os grupos que trabalham com esses temas. Agende conversas curtas e peça contato do núcleo de inovação da instituição para continuar depois.
Para a startup, feiras e congressos são vitrine e termômetro. Conversar com dezenas de potenciais clientes em poucos dias revela objeções que levariam meses para aparecer.
Quem organiza o evento pode aumentar muito esse efeito de ponte. Algumas medidas:
A inovação que a data de 19 de outubro celebra não acontece num único momento de genialidade. Ela depende de conversas, parcerias e testes que muitas vezes começam num corredor de congresso ou num estande de feira.