
Uma fotografia em preto e branco ajuda a contar esta história: um grupo de homens de terno e uma única mulher, Marie Curie, reunidos em torno de uma mesa coberta de papéis num hotel de Bruxelas. Ao lado dela aparecem Henri Poincaré, Max Planck, Ernest Rutherford e um jovem Albert Einstein. Era a primeira Conferência Solvay de física, aberta em 30 de outubro de 1911, que completa 115 anos nesta data. A conferência Solvay de 1911 durou até 3 de novembro, teve como tema a teoria da radiação e os quanta e se tornou um modelo de encontro científico de alto nível.
O evento nasceu da combinação de interesses. Ernest Solvay, industrial belga que fez fortuna com um processo de produção de carbonato de sódio, tinha curiosidade por questões de física e disposição para financiar a ciência. O físico alemão Walther Nernst o convenceu a patrocinar um encontro dedicado a um problema que incomodava a física da época: a ideia de que a energia poderia ser trocada em pacotes discretos, os quanta, não se encaixava na física clássica.
A presidência ficou com o holandês Hendrik Lorentz, respeitado por colegas de diferentes países e conhecido pela habilidade de conduzir debates. O local escolhido foi o Hotel Metropole, no centro de Bruxelas.
A primeira Conferência Solvay foi deliberadamente pequena. Participaram pouco mais de vinte pessoas, entre físicos convidados, secretários e representantes do anfitrião. Não havia inscrição aberta, plateia ou sessões paralelas. Cada convidado estava ali porque tinha algo a contribuir para o tema central.
O método de trabalho também diferia de um congresso de grande porte:
Einstein fez a última apresentação, sobre o problema dos calores específicos, e a colocou no contexto mais amplo da questão quântica, o que gerou questionamentos de Lorentz, Planck, Poincaré e outros. A conferência não resolveu o problema, mas deixou claro para todos os presentes que a física precisava de novas bases.
O resultado convenceu Solvay a transformar a iniciativa em algo permanente. Em 1912, ele criou o Instituto Internacional de Física Solvay, que passou a organizar conferências periódicas. A série seguiu por décadas e inclui a quinta conferência, de 1927, dedicada a elétrons e fótons, lembrada pela discussão entre Einstein e Niels Bohr sobre a interpretação da mecânica quântica. Iniciativas semelhantes foram criadas para a química.
A conferência de 1911 mostrou que um encontro pode ter impacto enorme sem ser grande. Seu modelo aparece em formatos atuais:
Para quem organiza um congresso de grande porte, a lição também serve: dentro de uma programação ampla, uma sessão pequena, com poucos convidados e um tema bem definido, pode gerar as conversas mais produtivas de todo o evento.