
Normas técnicas costumam ser associadas a fábricas, laboratórios e canteiros de obra, mas também chegaram aos centros de convenções. Em 14 de outubro, os organismos internacionais de normalização celebram o Dia Mundial da Normalização, data que lembra a importância dos padrões técnicos para o comércio, a segurança e a qualidade. Para quem organiza congressos e feiras, a ocasião é uma boa deixa para conhecer a norma de eventos sustentáveis, a ISO 20121, e entender como seus princípios podem ser aplicados mesmo sem certificação.
A norma nasceu da preparação dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Os organizadores tinham assumido compromissos de sustentabilidade na candidatura e pediram ao organismo britânico de normalização um padrão para gerir esses compromissos. O resultado foi uma norma nacional, que depois serviu de base para o texto internacional publicado pela ISO em 2012, com o título de sistemas de gestão para a sustentabilidade de eventos, com requisitos e orientações para uso. Os próprios Jogos de Londres foram um dos primeiros grandes testes do modelo.
A ISO 20121 vale para qualquer organização que planeje ou entregue eventos: organizadores, locais, fornecedores de montagem, alimentação ou audiovisual. Ela não se limita a um porte específico e pode ser usada tanto por uma empresa que realiza um congresso anual quanto por um espaço que recebe dezenas de eventos por ano.
Diferentemente de um checklist, a ISO 20121 é uma norma de sistema de gestão, com a mesma lógica de outras normas conhecidas de qualidade e meio ambiente. Ela não diz quantos copos descartáveis são permitidos; pede que a organização estabeleça um processo para identificar, planejar e acompanhar seus impactos. Os pontos centrais são:
A organização pode buscar certificação por um organismo credenciado ou declarar conformidade por conta própria. Em ambos os casos, a documentação precisa sustentar o que se afirma.
Um simpósio de um dia ou um congresso regional dificilmente justifica o custo de uma certificação, mas pode aproveitar a lógica da norma. Um caminho prático:
A ISO 20121 não está sozinha. Eventos também dialogam com normas de acessibilidade em edificações e espaços, com regras de segurança contra incêndio e pânico definidas pelos corpos de bombeiros estaduais e com normas de gestão ambiental e de qualidade adotadas por muitos fornecedores. Conhecer esse conjunto ajuda o organizador a fazer as perguntas certas ao local e aos prestadores de serviço, e a evitar que a sustentabilidade fique restrita a um discurso de abertura.