
O 30 de setembro é o Dia Internacional da Tradução, data que a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou em 2017 para reconhecer o trabalho de tradutores e intérpretes, profissionais que permitem que pessoas de línguas diferentes conversem, negociem e troquem conhecimento. Em congressos com palestrantes estrangeiros, esse trabalho tem nome próprio: a interpretação simultânea em eventos, aquela em que o público ouve a fala no próprio idioma, por um fone, quase no mesmo instante em que o orador se expressa. Para o organizador, ela é menos um detalhe técnico do que um capítulo do planejamento, com impacto no orçamento, no cronograma e na planta do auditório.
O palestrante fala ao microfone. O som chega aos intérpretes, instalados numa cabine com isolamento acústico e visão direta do palco. Eles ouvem pelo fone e, com poucos segundos de defasagem, reproduzem o discurso na língua de destino em outro microfone. Esse sinal é transmitido para receptores individuais distribuídos ao público, cada um com um seletor de canal: um canal para o idioma original, outro para cada língua interpretada.
Há variações. Em reuniões pequenas, com poucos ouvintes, pode-se usar o equipamento portátil conhecido como "bidule", em que o intérprete fica na própria sala, sem cabine, falando num transmissor. Serve para visitas técnicas e grupos reduzidos, mas não substitui a cabine num auditório com plenária. Em eventos híbridos ou totalmente on-line, plataformas de interpretação remota permitem que os profissionais trabalhem de outra cidade, desde que a conexão e o áudio sejam estáveis.
A cabine precisa de espaço reservado na planta do auditório, normalmente no fundo ou na lateral, com linha de visão para o palco e para a tela de projeção. Ela deve ter ventilação, iluminação de mesa e isolamento suficiente para que a voz do intérprete não vaze para a plateia. Se o local não tiver cabines fixas, as móveis são montadas pela empresa de equipamentos, o que exige horário de montagem e desmontagem no cronograma do espaço.
Os receptores são o item que mais gera perda e fila. Vale prever:
A integração com o som da sala é o ponto mais delicado. Microfone de lapela sem retorno para a cabine, vídeo exibido sem áudio conectado à mesa ou perguntas da plateia feitas sem microfone deixam os intérpretes sem ter o que traduzir.
Interpretação simultânea exige concentração intensa, por isso o padrão profissional é trabalhar em dupla por idioma, com revezamento a cada período curto, em geral entre vinte e trinta minutos. Um intérprete fala enquanto o outro descansa, acompanha a sessão e ajuda com números, nomes e termos. Jornadas longas ou sessões muito técnicas podem pedir uma equipe maior.
A qualidade depende do material que chega antes do evento. Os intérpretes precisam receber, com antecedência de alguns dias:
Palestrante que improvisa sem slide, lê um texto em alta velocidade ou muda a apresentação na véspera torna o trabalho mais difícil. Uma orientação simples aos oradores, pedindo ritmo natural e envio antecipado do material, faz diferença perceptível na plateia.
Na planilha, a interpretação se divide em três blocos: honorários dos intérpretes (por período ou diária, por idioma), locação de equipamentos (cabines, central, receptores, microfones) e equipe técnica. Somam-se deslocamento e hospedagem, quando a equipe vem de outra cidade, e eventual gravação dos canais interpretados.
No cronograma, os marcos principais são a definição dos idiomas, a contratação da equipe com meses de antecedência em períodos de muitos eventos, o prazo para os palestrantes enviarem material e o ensaio técnico no dia anterior à abertura. Divulgar na inscrição que haverá interpretação, e para quais línguas, ajuda a dimensionar os receptores e a atrair público que não domina o idioma dos convidados.